O tempo cura…

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“Muita coisa que ontem parecia importante ou significativa amanhã virará pó no filtro da memória. Mas o sorriso (…) ah, esse resistirá a todas as ciladas do tempo”.

(Caio F. Abreu).

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Metade…

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“Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio…”.

(Oswaldo Montenegro)

Nunca tive medo da morte…

Índice(Caronte, o barqueiro da Morte)

          Nunca tive medo da morte. Nunca desejei viver demais. Sempre gritei aos quatro cantos do mundo para quem quisesse ouvir que me bastaria viver até os setenta anos. O medo da morte, na maioria das vezes, surge pelas incertezas do que existe além dela; se há algo mais ou se realmente é o fim de tudo. Não tenho medo do que está por trás dela; meu medo não é esse.

          A primeira vez que me deparei com a morte foi no enterro do meu avô materno. Não lembro quantos anos eu tinha; só me recordo que era criança. Sofri mesmo assim, claro. As crianças sofrem a seu modo. E apesar dos meus sentimentos serem confusos demais para a idade, eu já não temia a morte.

          Outro contato que vivenciei, porém bem mais intenso, foi o falecimento do meu pai. Tinha apenas 21 anos e já possuía também uma capacidade reflexiva maior para perceber e discernir meus sentimentos, sensações e saber que postura adquirir diante dessa situação. E mesmo com esse contato tão próximo, o medo não bateu a porta e não mudei minha ideia sobre morrer aos setenta anos.

          Até que a pouco tempo, na verdade agora aos meus vinte e oito anos, a morte de uma prima da minha mãe me intrigou a ponto de me fazer rever meus lemas e a forma que encaro a vida e a morte. A moça era jovem, bonita, acadêmica e tinha um namorado. Aparentemente, levava uma vida como qualquer outra pessoa leva. Como a minha. Ou como a sua, talvez.  Mas não, não era. Era a vida dela e era única. Como a minha e a sua. Vivida e percebida de forma também única apesar de fatos semelhantes ocorrerem na vida de todos nós. Sem chances de retornos. Sem chances para novos erros e acertos.

          Hoje estamos aqui; lendo, conversando, sorrindo ou chorando, fazendo planos ou já mudando o rumo de nossas vidas. Mas amanhã de repente, tudo pode terminar. Será que o que foi vivido até agora valeu a pena? Será que ao fazermos uma reflexão poderemos concluir que a maioria das nossas vivências valeu a pena? Continuo não tendo medo da morte, mas confesso que esse último fato me levou à toda essa reflexão.

          Não tenho medo da morte. Meu medo é de olhar para trás e achar que não valeu a pena; que não vivi como eu queria e que não conquistei o que almejava. E por conta disso acabei criando uma certa urgência em estar e me sentir viva; em agarrar as coisas boas que a vida me oferece e me afastar do que me atrasa. Fez nascer uma sede de viver, mas não desenfreadamente e sim com cautela; para que no final eu conclua que nada foi em vão e que a vida fez sentido para mim. Apesar de ter urgência em estar viva eu não quero ter pressa de viver. Quero que seja intenso enquanto em mim houver vida.

E nada de deixar para amanhã. Amanhã pode ser tarde demais…

O teu riso

 

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“Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso”.

 

Pablo Neruda

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: A VOZ DAS BRASILEIRAS

ABORTAMENTO E DIREITOS REPRODUTIVOS: VOCÊ SABE DOS SEUS DIREITOS?

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          O abortamento é um assunto polêmico e que até hoje continua gerando divergências entre aqueles que discutem sobre. Falar do assunto não é meramente expor suas opiniões, já que estão envolvidos princípios, aspectos legais, morais, religiosos, sociais e culturais que devem sem respeitados, sem jamais emitirmos juízo de valor àqueles que são contra ou que o apoiam.

          Algumas mulheres praticam o aborto por falta de planejamento reprodutivo. Outras por falhas dos métodos anticonceptivos, por relações sexuais impostas pelo parceiro ou em casos de estupro. O fato é que hoje o aborto representa um grave problema de saúde pública em nosso país, deixando sequelas físicas, psicológicas e até mesmo reprodutivas que merecem atenção.

          Creio que a raiz do problema se dá pelo fato das mulheres se inibirem em declarar seus abortamentos devido a grande repercussão que causa na sociedade. O sentimento de culpa, o medo da penalização e a certeza de um atendimento desumano nos serviços de saúde impedem que as mulheres procurem assistência para que o procedimento seja feito em boas condições e assistido por um profissional.

          Todos têm o conhecimento que em nosso país, o aborto só é permitido em casos de má formação fetal ou estupro. Pensando nisso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou a Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento, que é um guia para orientar e apoiar os serviços e profissionais de saúde, visando introduzir uma nova abordagem no acolhimento e na assistência prestada a essas mulheres que estão cobertas pela lei.

          Postarei aqui tanto o link que dá acesso à Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento como também o link que dá acesso ao Caderno de Atenção Básica de Saúde Sexual e Reprodutiva e espero que vocês mulheres, leiam atentamente para que tenham mais conhecimento sobre o assunto para poderem formar/mudar suas opiniões dos direitos que lhes cabem, lutando por eles e por suas melhorias.

1 a a a a ab direito ao aborto

NORMA TÉCNICA DE ATENÇÃO HUMANIZADA AO ABORTAMENTO:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_humanizada.pdf

CADERNO DE ATENÇÃO BÁSICA SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA:

http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad26.pdf

CONTRIBUIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO FEMININA POR NÍSIA DA FLORESTA

          Durante séculos, a escolarização sempre foi algo exclusivamente voltada para o sexo masculino, pois era uma atividade considerada incompatível ao sexo feminino. As mulheres eram equiparadas a escravos no sentido de só realizar atividades manuais, que eram desvalorizadas aos olhos dos homens livres. Sua atividade principal era gerar filhos, amamentá-los e criá-los, mas também exerciam trabalhos pesados como extração de minerais.

          Na Grécia, a maioria dos homens e até mesmo escritores como Xenofonte, acreditavam que os deuses haviam criado as mulheres para as funções domésticas e que estas não tinham capacidade de adquirir outros conhecimentos porque essas funções lhes eram “naturais”. Chegou a dizer que as mulheres deveriam ser vigiadas, ver poucas coisas, ouvir pouco e perguntar pouco. Já Rousseau dizia que as mulheres deveriam aprender desde a infância a agradar o marido, lhes serem úteis, cuidarem deles, consolá-los… E assim deveria ser pelo resto de suas vidas.

          Porém, com o passar dos anos, as mulheres começaram a resistir a essa sujeição imposta. Christine de Pisan, escritora francesa defendia a igualdade entre os sexos e afirmava que se as meninas recebessem a mesma educação que os meninos, aprenderiam da mesma forma que eles e compreenderiam artes e ciências como eles.

          No século XIV, quando houve uma difusão de escolas, jornais e literaturas destinadas ao público feminino, os ainda mais conservadores já começavam a defender que as mulheres deveriam sim aprender línguas estrangeiras, conversação social… Mas apenas para que pudessem cumprir as funções de mãe e esposa perante a sociedade (uma espécie da ideia de Rousseau mais evoluída).

          Em meio à essas escolas surge os colégios Brasil e Augusto, tendo como fundadora Dionísia Gonçalves Pinto, conhecida como Nísia da Floresta. Nísia é uma escritora, poeta e educadora brasileira nascida no Rio Grande do Norte em 12 de outubro de 1810, em Papari. Ela foi a pioneira do feminismo por aqui e sempre escreveu comentários polêmicos em uma época que era raro existir escritoras brasileiras. Escreveu obras como Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, uma tradução livre do Vindication of the rights of woman, de Mary Wollstonecraft, sob o nome de Nísia Floresta Brasileira Augusta; Conselhos à minha filha, Opúsculo Humanitário (neste livro, a autora combate o preconceito e condena os erros seculares da formação educacional da mulher, não só no Brasil como em diversos países) entre outras.

          Suas obras informaram aos leitores lugares reservados às mulheres nas sociedades. Essa nova forma da mulher se socializar permitia a livre expressão das mulheres e tornava a postura feminina capaz de contribuir para a ascensão como também a decadência da família.

          Nísia destacava em suas obras o apreço das mulheres pelas futilidades femininas; maus exemplos domésticos como homens dominadores; exercícios mentais e físicos para as mulheres defendendo que ambos os sexos possuem a mesma capacidade e ainda por cima denunciava a omissão dos governos e dos homens que detinham o poder para educar meninas e mulheres.

          A escritora faleceu em 24 de abril de 1885, aos 75 anos, na França, depois de sofrer de pneumonia, tendo seus restos mortais transferidos em 1954 para o Rio Grande do Norte, na antiga cidade de Papari, atual cidade Nísia Floresta.

Nisia-Floresta

“Quanto mais ignorante é um povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele seu ilimitado poder. E partindo deste princípio […] que a maior parte dos homens se opõe a que se facilite à mulher os meios de cultivar o seu espírito. Porém, esse é um erro que foi e sempre será funesto à prosperidade das nações, como à aventura doméstica do homem”.

 

Referência: Debates sobre a educação feminina no século XIX: Nísia da Floresta e Maria Amália Vaz de Carvalho, por Emery Marques Gusmão.