Que caso os homens fazem das mulheres, e se é com justiça (Por Nísia da Floresta)

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          “Se cada homem, em particular, fosse obrigado a declarar o que sente a respeito de nosso sexo, encontraríamos todos de acordo em dizer que nós nascemos para seu uso, que não somos próprias senão para procriar e nutrir nossos filhos na infância, reger uma casa, servir, obedecer, e aprazer a nossos amos, isto é, a eles homens. Tudo isso é admirável e mesmo um muçulmano não poderá avançar mais no meio de um serralho de escravas.

          Entretanto, eu não posso considerar esse raciocínio senão como grandes palavras, expressões ridículas e empoladas, que é mais fácil dizer do que provar. Os homens parecem concluir que todas as outras criaturas foram formadas para eles, ao mesmo tempo em que eles não foram criados senão quando tudo isso se achava disposto para seu uso. Eu não me proporia a fazer ver a futilidade deste raciocínio; mas concedendo que ele tenha alguma ponderação, estou certa que antes provará que os homens foram criados para o nosso uso, do que nós para o deles.

          É verdade que o emprego de nutrir as crianças nos pertence, assim como a eles unicamente pertence o de gerá-los; se este último lhes dá algum direito à estima e respeito públicos, o primeiro nos deve merecer uma porção igual, pois que o concurso imediato dos dois sexos é tão essencialmente necessário à propagação da espécie humana, que um será absolutamente inútil sem o outro.

          Que direito pois têm eles de nos desprezar, e pretender uma superioridade sobre nós, por um exercício que eles partilham igualmente conosco? Todos sabem, nem se pode negar, que os homens olham com desprezo para o emprego de criar filhos e que é isso, às suas vistas, uma função baixa e desprezível; mas se consultassem a natureza nesta parte, sentiriam sem que fosse preciso dizer-lhes, que não há no Estado Social um emprego que mereça mais honra, confiança e recompensa. Basta atender às vantagens que resultam ao gênero humano para convir-se nisto; eu não sei se até por essa razão unicamente, as mulheres não mereciam o primeiro lugar na sociedade civil.

          Qual foi o fim para que os homens se reuniram em sociedade, senão para terem suas vidas mais seguras e pacificamente gozarem tudo que lhes apraz?

          Todos aqueles, pois, que mais contribuem a essa vantagem pública devem por isso obter maior porção de estima pública. Ora, as mulheres, encarregando-se generosamente e sem interesse do cuidado de educar os homens na sua infância, são as que mais contribuem para essa vantagem, logo são elas que merecem um maior grau de estima e respeito públicos. Partindo desse princípio é que se olham os príncipes como as primeiras pessoas do Estado. Nessa qualidade, ou grau de elevação, se lhes conferem as principais honras; porque supõe-se ao menos que eles se sobrecarregam de grandes cuidados, vigílias e inquietações, que exige a prosperidade do bem público. Da mesma sorte tributamos mais ou menos respeito àquelas pessoas que estão abaixo deles e que mais se lhes aproximam, porque as olhamos como pessoas mais úteis à sociedade, segundo partilham mais ou menos as fadigas do serviço público.

          É pela mesma razão que preferimos os militares aos literatos; porque os olhamos como um baluarte entre nós e nossos inimigos. Todos concordam em respeitar as pessoas à proporção de sua utilidade; eis pois a medida de seu merecimento. Ora, sendo essa regra aplicável a todas as circunstâncias da vida, por que não devem ter as mulheres, mais que todos, direito à estima pública, contribuindo mais, sem comparação, a seu bem-estar?

          […] Se nos remontarmos à origem dessa injusta parcialidade, encontraremos que a única e verdadeira causa do pouco reconhecimento, que se tem aos importantes serviços que as mulheres prestam aos homens, é que eles são comuns e ordinários. Entretanto, seja qual for a recompensa, o prazer que a generosidade de nosso sexo acha em preencher esse ofício basta para que nós o desempenhemos com toda ternura e sem vistas de interesse. Eu não pretendo queixar-me de não recebermos recompensa: seja-me somente permitido dizer, que por sermos mais capazes que os homens em desempenhar esse cargo, não se segue que não possamos também desempenhar outro qualquer?”.

(Nísia da Floresta)

 

É ou não de se admirar essa mulher? Este é apenas um trecho da coleção do livro Nísia da Floresta por Constância Lima Duarte. O mesmo encontra-se disponível para download e quem se interessar basta clicar aqui:

http://www.livrosgratis.com.br/arquivos_livros/me4711.pdf

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O teu riso

 

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“Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso”.

 

Pablo Neruda

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: A VOZ DAS BRASILEIRAS

ABORTAMENTO E DIREITOS REPRODUTIVOS: VOCÊ SABE DOS SEUS DIREITOS?

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          O abortamento é um assunto polêmico e que até hoje continua gerando divergências entre aqueles que discutem sobre. Falar do assunto não é meramente expor suas opiniões, já que estão envolvidos princípios, aspectos legais, morais, religiosos, sociais e culturais que devem sem respeitados, sem jamais emitirmos juízo de valor àqueles que são contra ou que o apoiam.

          Algumas mulheres praticam o aborto por falta de planejamento reprodutivo. Outras por falhas dos métodos anticonceptivos, por relações sexuais impostas pelo parceiro ou em casos de estupro. O fato é que hoje o aborto representa um grave problema de saúde pública em nosso país, deixando sequelas físicas, psicológicas e até mesmo reprodutivas que merecem atenção.

          Creio que a raiz do problema se dá pelo fato das mulheres se inibirem em declarar seus abortamentos devido a grande repercussão que causa na sociedade. O sentimento de culpa, o medo da penalização e a certeza de um atendimento desumano nos serviços de saúde impedem que as mulheres procurem assistência para que o procedimento seja feito em boas condições e assistido por um profissional.

          Todos têm o conhecimento que em nosso país, o aborto só é permitido em casos de má formação fetal ou estupro. Pensando nisso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou a Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento, que é um guia para orientar e apoiar os serviços e profissionais de saúde, visando introduzir uma nova abordagem no acolhimento e na assistência prestada a essas mulheres que estão cobertas pela lei.

          Postarei aqui tanto o link que dá acesso à Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento como também o link que dá acesso ao Caderno de Atenção Básica de Saúde Sexual e Reprodutiva e espero que vocês mulheres, leiam atentamente para que tenham mais conhecimento sobre o assunto para poderem formar/mudar suas opiniões dos direitos que lhes cabem, lutando por eles e por suas melhorias.

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NORMA TÉCNICA DE ATENÇÃO HUMANIZADA AO ABORTAMENTO:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_humanizada.pdf

CADERNO DE ATENÇÃO BÁSICA SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA:

http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad26.pdf

CONTRIBUIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO FEMININA POR NÍSIA DA FLORESTA

          Durante séculos, a escolarização sempre foi algo exclusivamente voltada para o sexo masculino, pois era uma atividade considerada incompatível ao sexo feminino. As mulheres eram equiparadas a escravos no sentido de só realizar atividades manuais, que eram desvalorizadas aos olhos dos homens livres. Sua atividade principal era gerar filhos, amamentá-los e criá-los, mas também exerciam trabalhos pesados como extração de minerais.

          Na Grécia, a maioria dos homens e até mesmo escritores como Xenofonte, acreditavam que os deuses haviam criado as mulheres para as funções domésticas e que estas não tinham capacidade de adquirir outros conhecimentos porque essas funções lhes eram “naturais”. Chegou a dizer que as mulheres deveriam ser vigiadas, ver poucas coisas, ouvir pouco e perguntar pouco. Já Rousseau dizia que as mulheres deveriam aprender desde a infância a agradar o marido, lhes serem úteis, cuidarem deles, consolá-los… E assim deveria ser pelo resto de suas vidas.

          Porém, com o passar dos anos, as mulheres começaram a resistir a essa sujeição imposta. Christine de Pisan, escritora francesa defendia a igualdade entre os sexos e afirmava que se as meninas recebessem a mesma educação que os meninos, aprenderiam da mesma forma que eles e compreenderiam artes e ciências como eles.

          No século XIV, quando houve uma difusão de escolas, jornais e literaturas destinadas ao público feminino, os ainda mais conservadores já começavam a defender que as mulheres deveriam sim aprender línguas estrangeiras, conversação social… Mas apenas para que pudessem cumprir as funções de mãe e esposa perante a sociedade (uma espécie da ideia de Rousseau mais evoluída).

          Em meio à essas escolas surge os colégios Brasil e Augusto, tendo como fundadora Dionísia Gonçalves Pinto, conhecida como Nísia da Floresta. Nísia é uma escritora, poeta e educadora brasileira nascida no Rio Grande do Norte em 12 de outubro de 1810, em Papari. Ela foi a pioneira do feminismo por aqui e sempre escreveu comentários polêmicos em uma época que era raro existir escritoras brasileiras. Escreveu obras como Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, uma tradução livre do Vindication of the rights of woman, de Mary Wollstonecraft, sob o nome de Nísia Floresta Brasileira Augusta; Conselhos à minha filha, Opúsculo Humanitário (neste livro, a autora combate o preconceito e condena os erros seculares da formação educacional da mulher, não só no Brasil como em diversos países) entre outras.

          Suas obras informaram aos leitores lugares reservados às mulheres nas sociedades. Essa nova forma da mulher se socializar permitia a livre expressão das mulheres e tornava a postura feminina capaz de contribuir para a ascensão como também a decadência da família.

          Nísia destacava em suas obras o apreço das mulheres pelas futilidades femininas; maus exemplos domésticos como homens dominadores; exercícios mentais e físicos para as mulheres defendendo que ambos os sexos possuem a mesma capacidade e ainda por cima denunciava a omissão dos governos e dos homens que detinham o poder para educar meninas e mulheres.

          A escritora faleceu em 24 de abril de 1885, aos 75 anos, na França, depois de sofrer de pneumonia, tendo seus restos mortais transferidos em 1954 para o Rio Grande do Norte, na antiga cidade de Papari, atual cidade Nísia Floresta.

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“Quanto mais ignorante é um povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele seu ilimitado poder. E partindo deste princípio […] que a maior parte dos homens se opõe a que se facilite à mulher os meios de cultivar o seu espírito. Porém, esse é um erro que foi e sempre será funesto à prosperidade das nações, como à aventura doméstica do homem”.

 

Referência: Debates sobre a educação feminina no século XIX: Nísia da Floresta e Maria Amália Vaz de Carvalho, por Emery Marques Gusmão.

VIRGINIA WOOLF: UMA GRANDE PRECURSORA DO FEMINISMO CONTEMPORÂNEO

             Nunca havia escutado falar de Virginia Woolf. Até que fui à uma livraria da minha cidade e me deparei com o seguinte livro: Profissões para mulheres e outros artigos feministas. Gostei logo de cara, pois simpatizo com o feminismo e cada vez mais venho desejando ampliar meu conhecimento sobre o mesmo. Não hesitei em comprá-lo mesmo sem conhecer tal escritora e sinceramente não me arrependi. A forma como Virginia expressa seus pensamentos e argumentos para manter suas opiniões é extremamente fascinante! Por isso decidi fazer um post sobre ela, mas não pretendo fazer uma resenha sobre o livro, pois acho que este realmente merece ser lido e que o leitor possa se deleitar a cada página lida. Pretendi também apenas atiçar a curiosidade e despertar a vontade de conhecer um pouco mais não somente essa, mas outras obras fantásticas dessa mulher.

          Para quem nunca ouviu falar dela, Virginia Woolf foi uma escritora, ensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo. Nasceu em Londres, (Lewes) no dia 25 de Janeiro de 1882 e recebeu uma educação esmerada, frequentando desde cedo o mundo literário. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928), bem como o livro-ensaio Um Quarto Só Para Si (1929).

          O livro Profissões para mulheres e outros artigos feministas reúne sete ensaios de Virginia Woolf nos quais ela questiona a visão tradicional da mulher como “anjo do lar” e expõe as dificuldades da inserção feminina no mundo profissional e intelectual da época. Numa era em que o papel da mulher modifica-se cada vez mais rapidamente, as críticas e reflexões de Virginia mostram que a autora estava à frente de seu tempo (Sinopse pelo editor L&PM Pocket Plus).

 

Virginia Wollf: aos 20 anos já era uma crítica literária.

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Trechos do livro onde Virginia Woolf expressa seus pensamentos feministas:

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Trecho do livro onde Virginia rebate seu amigo Desmond MacCarthy, que escrevia sob o pseudônimo Falcão Afável e afirmava que as mulheres eram intelectualmente inferiores aos homens:

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O QUE É FEMINISMO?

          Mais um livro terminado. E por sinal muito bom! Com uma linguagem clara, as autoras do livro fazem um resumo da história da luta do sexo feminino frente aos homens pela igualdade social, financeira, educacional e na saúde desde o século IV antes de Cristo até a década de 70.

          O  livro relata o sofrimento, resistência, opressões, mas também relata muitas conquistas do sexo feminino na história, as quais foram dadas pouca importância apenas pela questão do seu gênero. Apesar de ser um pouco antigo, o considerei bastante atual, já que apesar dos avanços e espaço conquistado por nós mulheres, a misoginia e o machismo ainda existe e muitas vezes de forma tão discreta e manipuladora que sequer percebemos. Quem ler o livro irá perceber que ele se resume em explicar o surgimento do movimento feminista, citando os nomes de grandes mulheres que muito sofreram para deixar suas marcas no mundo e o mais importante, para deixar suas conquistas para nós para sempre.

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